Fundamentos

LEI DOS SEMELHANTES

Fundamentada na filosofia vitalista sobre o processo de adoecimento do homem, a Homeopatia considera o indivíduo como uma unidade no que se refere ao seu funcionamento orgânico, não separando o corpo da mente e entendendo que o funcionamento de órgãos e sistemas deve ser observado como um conjunto e não isoladamente.
A Homeopatia tem como o seu princípio básico a lei dos semelhantes – similia similibus curentur - formulada por Hipócrates (séc. IV a.C.); Por este principio uma doença pode ser curada por medicamentos que provoquem sintomas semelhantes aos que a doença apresenta. Os demais fundamentos da Homeopatia são a maneira de aplicar experimentalmente esta lei dos semelhantes: experimentação em homem são; substância única e doses mínimas.

DOSES MÍNIMAS

Hahnemann percebeu que ao aplicar terapeuticamente seus medicamentos em doses ponderais (maciças), certas substâncias/remédios produziam sintomas de intoxicação que se somavam aos da enfermidade em curso agravando o quadro clínico dos doentes. Com o intuito de reduzir este efeito nocivo, o criador da Homeopatia modificou o método de preparação dos medicamentos: diminuiu as doses ministradas a tal ponto que chegou às doses infinitesimais, comprovando que esse processo não só acabava com os efeitos colaterais como melhorava os resultados obtidos com o tratamento.

Além desta redução cada vez maior das doses aplicadas que depois passaram a ser diluídas, Hahnemann agitava vigorosamente os frascos em que ia fazendo as sucessivas diluições. Desta forma buscava liberar o princípio vital da substância. Hahnemann chamou estes medicamentos de dinamizados ou potencializados. O processo de obter cada principio ativo, diluindo e agitando em etapas sucessivas as substâncias até torná-las uma medicação denominou de dinamização.


EXPERIMENTADOR SÃO

Este princípio experimental se deve ao fato de que, até a época de Hahnemann, não se conhecia a ação pura das substâncias medicinais. Conhecia-se exclusivamente o resultado de sua ação em indivíduos doentes. Assim não se podia delinear com clareza o que era ação drogal da substância (seu poder curativo) e o que era sintoma da enfermidade por sua ação tóxica. Objetivando contornar este problema, Hahnemann propôs, pela primeira vez na história da medicina, o estudo da ação drogal das substâncias em experimentação pura, ou seja, sem que o organismo do experimentador estivesse com seu funcionamento alterado pelo curso de uma enfermidade.



Aplicando este principio de acordo com o principio das doses mínimas pôde delinear com clareza o poder “toxicológico” de uma substância medicinal, a enfermidade artificial, que lhe serviria de modelo para quando frente a um enfermo com os mesmos sintomas escolher o medicamento que melhor se aplicasse. Estes experimentos foram realizados em homens e mulheres de diferentes idades, morfologia e constituições diversas, administrados em diferentes diluições e freqüências, o que permitiu determinar as diferentes sensibilidades individuais.


SUBSTÂNCIA ÚNICA

Até Hahnemann propor seu método experimental, a ação das drogas medicinais, principalmente oriundas do reino vegetal, era conhecida apenas devido ao seu emprego em coquetéis terapêuticos. Esses eram compostos de substâncias com mesma afinidade sintomática, ou adicionadas juntas no mesmo composto objetivando minimizar os efeitos adversos umas das outras.


Ao propor a utilização de uma substância de cada vez o propósito de Hahnemann era delinear com clareza a ação, o tropismo, a força medicinal de cada substância, distinguido-a das demais e construindo uma imagem precisa do seu poder de adoecer e conseqüentemente de sua virtude terapêutica, quando empregada de acordo com a lei dos semelhantes.